Expandindo a Mina Perdida de Phandelver – Parte 2

Atenção! Esse post contém extensivos spoilers da aventura. Se pretende jogar Lost Mine of Phandelver como jogador, pare de ler aqui.

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Nesse post, veremos como podemos usar algumas informações sobre o histórico descrito na Parte 1 para incrementar alguns encontros que são sugeridos para da primeira parte, Goblin Arrow até a terceira parte da aventura, The Web of the Spider.

Emboscada Goblin

Infelizmente a seção não é bem descrita, sendo uma que poderia se beneficiar de um mapa. Com os cavalos no meio da estrada, seria possível simplesmente dar a volta e evitar o ataque dos goblins. Um mestre mais sagaz prepararia esse encontro de modo que esse desvio não fosse possível e dar a volta levaria mais tempo.

Felizmente, alguém já pensou nisso e desenhou um mapa no estilo da aventura. Só precisa adicionar os cavalos (quem joga em mesas digitais como o Roll20 pode procurar os tokens para isso).

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O Pacto de Phandelver

A aventura cita magos humanos, anões e gnomos no pacto [1, p. 3]. Porém, somos deixados a especular que tais magos humanos eram de Phalorm, com possivelmente um deles sendo o dono do Castelo Cragmaw.

Uma outra possível especulação é usando material coletado sobre o Pacto (Covenant) [2, p. 96 ; 5]: como os quatro magos fundadores do grupo contra invasões orcs e pela paz no Norte fizeram sua base em Neverwinter em 673 CV, é possível que tenham influenciado a criação do Pacto de Phandelver. Com a queda do prestígio do Pacto quando a grande horda que previram foi evitada pelas Caso dos Portais Orc (Orcgate Affairs)¹ [2, p. 113], não se dispuseram a reerguer Phandelver.

De todo modo, ambas as especulações sobre a origem dos magos do Pacto de Phandelver podem ser aproveitadas. Um descendente de um mago de Phalorm pode estar à procura de informações sobre seu ancestral, ou mesmo ter sido contactado por seu espírito e querer reivindicar o Castelo Cragmaw (com o nome apropriado de sua família). Um aluno da Escola de Magia de Neverwinter pode encontrar documentos secretos na biblioteca ligando o Pacto à criação do Pacto de Phandelver,  ou mesmo um dos novos membros do Pacto que foi reformado em 1372 CV em Waterdeep.

Um plot twist na aventura

Uma variação interessante é que o Pacto era inimigo dos Magos Vermelhos de Thay. Essa linha de raciocínio, usando o Pacto como fundador do Pacto de Phandelver, pode ser usada para explicar os magos humanos malignos citados no ataque [1, p. 3 ; 16, p. 197] que destruiu Phandalin e Phandelver. Como possivelmente não houve sobreviventes, isso estaria de acordo com a descoberta pelo Pacto em 976 CV que os Magos Vermelhos de Thay estiveram envolvidos no Caso dos Portais Orc.

Desse modo, Hamun Kost poderia estar lá não apenas para espionar o Poço da Velha Coruja atrás de artefatos netherese, mas também atrás de informações sobre Phandelver, que os Magos Vermelhos de Thay haviam ajudado a destruir anteriormente.

Phandalin

Além do que é descrito sobre Phandalin ser uma recolonização da antiga vila de fazendeiros destruída por orcs de Uruth Ukrypt, a nova Phandalin é uma vila primeiramente voltada à mineiração. Porém, podemos incrementar a descrição de Phandalin baseando na etimologia e em informações sobre a flora.

A árvore phandar [3, p. 39] é descrita como uma boa árvore para fazer arcos, cabos para armas, ferramentas e jóias, além do seu valor na construção civil. Pela similaridade das palavras Phandar e Phandalin, podemos supor que a região da vila e a mata perto da mansão Tresendar são majoritariamente compostas de phandares.

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Da esquerda para a direita: Hiexel, Laspar e Phandar

Lembre-se da descrição da árvore ao detalhar Phandalin para seus jogadores: árvore de folhas triangulares com muitas tonalidades de verde, crescendo até 18m de altura, com muitos ramos incrivelmente fortes, curvos e flexíveis. A madeira é esverdeada com finos veios negros em sua extensão. As folhas aparentam fazer a forma de um ovo horizontal, e os phandares apontam na direção predominante do vento. Alguns aventureiros as comparam com a forma do monstro conhecido como Estrangulador (Choker).

As casas da região podem ter sido construídas usando phandares, dando uma característica textura às suas paredes e móveis como cadeiras.

Ainda em Phandalin, cabe lembrar que a Mansão Tresendar na verdade estava mais pra um pequeno forte que para uma mansão, ainda mais com os constantes ataques de hordas orc a que a região estava sujeita. Dito isso, a entrada da masmorra ser na cozinha  sugere que a mansão é facilmente acessível, talvez com teto desabado, goteiras e pouco espaço habitável na superfície.

Thundertree

Uma dúvida que fica é sobre a religião de Reidoth. Podemos especular que, como druida e interessado em manter Thundertree como está, afinal, não o vemos tomar parte em remover os zumbis de cinzas (ash zombies) nem os galhos da podridão (twig blight), seu deus seria Silvanus [12, p. 63]. Essa suposição é apoiada pelo fato do Conclave Esmeralda (Emerald Enclave) [10, p. 127 ; 13, p. 273 ;  14, p. 147] ser uma facção silvanita radical.

Entretanto, presumo que o mesmo fato não serve como motivo para ele não intervir na questão da Caverna Eco das Ondas (Wave Echo Cave). Como o mesmo sabe o caminho, sendo referência em Phandalin para Qeline Alderleaf, ele deveria tomar partido, já que a reativação da mina por forças como Nezznar trariam desequilíbrio à região. Talvez o dragão Venomfang seja motivo maior de preocupação (no próximo post falaremos mais sobre a posição de Venomfang em Thundertree).

Poço da Velha Coruja

Como vimos no post anterior, o Terraseer (Arthindol [4, p. 102], como sabe Agatha [1, p. 29]) fez com que os netherese construíssem o posto de abastecimento Quesseer² ao norte das Montanhas da Espada. Porém, o propósito de Terraseer era espionar os elfos de Illefarn com bolas de cristal, além de esconder um lote de chardalyn nas masmorras do poço, protegidos por Deepspawns [4, p. 107].

A presença de um Mago Vermelho de Thay em terras próximas a Neverwinter, especialmente após os acontecimentos que fecharam a 4a edição (e o MMO Neverwinter) não deveria ser considerada levianamente [6 ; 7 ; 8 ; 9 ; 10, p. 51]. As ações de Valindra Shadowmantle na região deveriam ser frescas mesmo após 10 anos.

Assim, a preocupação de Daran Edermath é justificada. A presença dos Magos Vermelhos de Thay, notoriamente malignos, é um ponto de preocupação, ainda mais para um membro da Ordem da Manopla (Order of the Gauntlet).

Como uma das missões de Hamun para os jogadores é descobrir o nome do mago que criou o Poço, podemos presumir que ele não tenha muita informação além de que aquelas ruínas são da época de Netheril. Talvez com a informação de que foi o próprio Terraseer que ordenou sua construção, Hamun consiga mais recursos de Thay para continuar a escavação.

O Grimório Perdido de Bowgentle

Essa busca, passada pela Irmã de Tymora Garaele envolve descobrir o atual paradeiro do grimório. Bowgentle foi um mago de Silverymoon [11, p. 30] muito famoso pelos dragões que matou. Porém, morreu em viagem em uma nevasca (outra fonte cita sua queda de uma montanha, uma não anula a outra) enquanto viajava.

Agatha pode dar informações sobre a aparência do grimório, já que o teve há algum tempo. O livro tem uma capa de couro preto, de um tipo de búfalo das planícies de Amn, sobre placas. A capa, feita por elfos, mostra a figura de um humano enfrentando um dragão, ambos jogando fogo um no outro. O livro tem 53 páginas de papel velino branco, costuradas com uma fita de couro preto e seda. Das magias únicas contidas no livro: Dispel Silence e Bowgentle’s Fleeting Journey.

Wyvern Tor

Sobre os orcs na Colina do Wyvern (Wyvern Tor), sua origem depende de quando a aventura se situa. Se é antes da guerra contra o Reino de Muitas-Flechas (Many-Arrows) e, portanto, antes da dissolução da Liga Argêntea, esses orcs poderiam ser descendentes dos orcs das Montanhas da Espada ou membros de Muitas-Flechas que estejam insatisfeitos.

Scrivener of Doom sugere que esses orcs estejam atrás do Trono de Sangue e Ossos (Bloodbone Throne) de Uruth Ukrypt para aumentar o poder do Obould atual de Muitas-Flechas. Minha divergência com isso é que o trono foi perdido [15, p. 72] por volta de 1370 CV quando estava sendo levado para a Fortaleza do Arauto (Herald’s Holdfast) [3, p. 11] para ser arquivado. O último rumor de sua aparição foi na Floresta Alta, com um orc com gamos de cervo. Mesmo assim, os orcs podem não saber dessa informação.

Caso seja após a queda de Muitas-Flechas, os orcs podem ser um grupo que busca restaurar a glória de Uruth Ukrypt, buscando se estabelecer na região e possivelmente atrás do trono.

Ambas as informações podem ser observadas por um personagem que saiba falar orc. Isso, claro, se os personagens estiverem se aproximando sorrateiramente para invadir a caverna ou conseguirem capturar um dos orcs vivo.

Até agora…

No post anterior, vimos a linha do tempo dos eventos históricos que levaram à atual situação. Baseado nessas informações, nesse post pudemos incrementar os encontros nas partes 1, 2 e 3 da aventura, com ocasional inclusão de material adicional, como as informações sobre a flora da região.

No próximo post exploraremos as possibilidades que a região nos dá após a conclusão da aventura Lost Mine of Phandelver.

Notas

1 – Aqui é interessante notar que Orcgate Affairs (não confundir com o outro evento, Orcgate Wars) pode ser traduzido literalmente como Caso dos Portais Orc, como também pode ser uma analogia ao Watergate, um dos grandes escândalos da política estadunidense. Como os magos do Pacto esperavam uma grande horda orc e perderam prestígio com o envolvimento dos Magos Vermelhos de Thay, esse “escândalo” pode ser visto como uma referência. Resta saber para onde ao sul esses orcs foram transportados…
2 – A etimologia de Quesseer é incerta. Podemos especular que usa Quess (do élfico para Povo) e Seer (do inglês mesmo, de adivinho ou vidente), sendo assim, em interpretação livre, Vigilante do Povo. Faz sentido dentro da questão que era um posto de espionagem para Illefarn. Por outro lado, não seria nada inteligente colocar um nome tão agressivo para uma nação que você pretende vigiar…

Referências

[1] Rich Baker, Lost Mine of Phandelver, In: Dungeons & Dragons Starter Set, Wizards of the Coast,  2014.
[2] Brian R. James, Ed Greenwood, The Grand History of the Realms, Wizards of the Coast, 2007. [link]
[3] Ed Greenwood, Jason Carl, Fronteiras Prateadas, Devir, 2004. [link]
[4] Richard Baker, Ed Bonny, Travis Stout, Lost Empires of Faerûn, Wizards of the Coast, 2005. [link]
[5] Vários autores, The Covenant, Forgotten Realms Wikia, Disponível em: http://forgottenrealms.wikia.com/wiki/The_Covenant. Último acesso em: 21/04/2017
[6] Matt Sernet, Ari Marmell, Erik Scott de Bie, Neverwinter Campaign Setting, Wizards of the Coast, 2011. [link]
[7] Christopher Perkins, Jeremy Crawford, Ghosts of Dragonspear Castle, Wizards of the Coast, 2013. [link]
[8] Tito Leati, Matt Sernett, Chris Sims, Dreams of the Red Wizards: Scourge of the Sword Coast, Wizards of the Coast, 2014. [link]
[9] Scott Fitzgerald GrayDreams of the Red Wizards: Dead in Thay, Wizards of the Coast, 2014. [link]
[10] Green Ronin Publishing, Sword Coast Adventurer’s Guide, Wizards of the Coast, 2015.
[11] Ed Greenwood, Pages from the Mages IV: More long-lost magical lore from Elminster, In: Dragon Magazine #97, TSR,  Maio 1985.
[12] Eric L. Boyd, Erik Mona, Crenças e Panteões, Devir, 2005. [link]
[13] Ed Greenwood, Sean K. Reynolds, Skip Williams, Rob Heinsoo, Forgotten Realms: Os Reinos Esquecidos – Cenário de Campanha, Devir, 2002. [link]
[14] Julia Martin, Eric L. Boyd, Faiths & Avatars, TSR, 1996. [link]
[15] Eric L. Boyd, Ed Greenwood, Lost Regalia of the North: The Toppled Thrones, In: Dragon Magazine #351, Paizo Publishing, Janeiro 2007.
[16] Ed Greenwood, Volo’s Guide to the North, TSR, 1993.

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  2. Expandindo a Mina Perdida de Phandelver – Parte 1
  3. Expandindo a Mina Perdida de Phandelver – Parte 2
  4. Expandindo a Mina Perdida de Phandelver – Parte 3
  5. Expandindo a Mina Perdida de Phandelver – Parte 4
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