Old Dragon: Vinhas Mortais, modificações e discussões

Hoje no grupo do Facebook do Old Dragon vi uma postagem sobre dúvidas de regras que envolvia um encontro com Vinhas Mortais (Bestiário, p. 196). Na dúvida, um dos personagens tinha detectado a Vinha Mortal Menor e usava metajogo para poder agir antes. Fui ler no Bestiário sobre esse monstro que nunca tinha usado antes e tive algumas ideias.

Um breve aviso: Não sou especialista em botânica. Caso você entenda mais do assunto e eu tenha falado alguma besteira, não se esqueça de comentar no post para podermos trocar uma ideia e corrigir o erro.

Vinhas Mortais

Nunca tinha dado atenção às Vinhas Mortais até essa postagem. Pra mim, eram plantas que ficavam ali, paradas, esperando uma vítima passar e a agarravam. Depois que li que elas implantavam vítimas com seus esporos e que imitavam sons (com uma descrição das partes da planta que fariam isso digna de botânicos), passei a ter mais respeito.

Plantas com mobilidade

Outra coisa que me chamou a atenção foi a capacidade da Vinha Mortal em se deslocar. Sempre achei que as Vinhas fossem plantas enraizadas em um local só, possivelmente onde a criatura infectada que deu origem a uma nova morreu.

Mas se a sua reprodução for apenas pelos esporos injetados em criaturas, faz sentido que sejam capazes de se locomover (usando estruturas musculares, talvez?), pois as criaturas infectadas podem ter morrido em uma caverna, onde não há luz do sol para fazerem fotossíntese, ou em uma região onde passem poucas criaturas.

Porém, como um dos habitats das Vinhas Mortais é o subterrâneo, podemos inferir que a fotossíntese não é sua principal forma de alimentação. Assim, as Vinhas Mortais da superfície (floresta) poderiam ser menos agressivas, já que dependem menos de criaturas para se alimentar, mas as do subterrâneo seriam mais agressivas e com maior tendência a precisarem se deslocar para pontos onde haja grande movimentação de criaturas.

Pragas como gafanhotos

Isso faz das Vinhas Mortais potenciais problemas pra uma região. Um crescimento descontrolado de Vinhas que não sejam daquele habitat (veja no Bestário que animais nativos evitam as Vinhas por conhecê-las) pode prejudicar ecossistemas. Após modificar o ambiente, quando as criaturas  as estiverem evitando, lentamente as Vinhas Mortais podem se deslocar para outra região ou entrar em uma espécie de hibernação até que as condições sejam propícias novamente.

Duas formas de reprodução?

Quando o Bestiário cita as flores das Vinhas Mortais com um cheiro característico e evitadas pelos animais da região, podemos pensar em sua forma de reprodução como sendo a transmissão dos esporos. A criatura morre 1d6 dias depois, podendo já ter ido bem longe (como um pássaro arranhado por seus tentáculos).

Resta saber se as Vinhas trocam gametas com outras ou se sua reprodução é assexuada (o que levaria a problemas de longo prazo). Se os esporos forem uma cópia da planta,  a menos que a mesma sofra mutações para resistir a pragas ou desenvolver defesas contra outras criaturas, as Vinhas Mortais seriam fáceis de serem extintas.

Mas e se as Vinhas permitam que animais polinizadores façam seu trabalho sem serem incomodados e assim garantam a reprodução cruzada? Suas flores gerarão frutos que podem ser comidos por outras criaturas (que podem morrer com uma Vinha Mortal eclodindo de dentro dela) ou sendo semeadas por aí. Isso expandiria seu alcance e sua mortalidade.

Ventriloquismo

Essa habilidade, somada à reprodução por esporos, torna as Vinhas Mortais algo assustador. Se esse conhecimento for transmitido para cada Vinha Mortal surgida dos esporos, as Vinhas Mortais acumulariam um vasto vocabulário de cada região, podendo imitar sons de diversos animais ou mesmo pedidos de ajuda de pessoas.

Em uma região subterrânea sem iluminação, um personagem correndo atrás de gritos de socorro que ache que são de seus companheiros perdidos poderia acabar caindo em um emaranhado de Vinhas Mortais.

Uma Vinha Mortal que por algum motivo se tornasse inteligente, com capacidade de dialogar usando o ventriloquismo, seria algo assustador. Pense ainda na possibilidade dessa versão mutante de controlar outras criaturas usando seus esporos…

Sinergias

As sinergias das Vinhas Mortais são com criaturas subterrâneas. Apenas o Fungo Pigmeu ainda possui outro habitat, o pântano. Mas a própria Vinha Mortal vem do habitat floresta.

Isso me fez pensar em uma outra possível sinergia: um treant. Imagine que uma Vinha Mortal se desenvolveu em cima de um treant. Ela seria como uma orquídea que se sustenta em outra planta, sem parasitá-la. O treant acabaria defendendo a planta dos ataques de criaturas que tentem ferí-la com machados e fogo e a Vinha Mortal poderia impedir que o treant seja incomodado.

Ou ainda, um treant poderia usá-la em seu ataque de pancada, permitindo que a Vinha Mortal use seu ataque de tentáculo para tentar infectar alguma criatura com esporos. Ou um treant corrompido (que não seja Neutro, mas Caótico) que use a Vinha Mortal como um chicote propositalmente contra outras criaturas.

Modificações para Vinhas Mortais

Vinhas Mortais adaptadas

Quando fui ler sobre plantas carnívoras para escrever esse post, vi que há plantas carnívoras adaptadas para ambientes extremos, como desertos ou ambientes gelados. Vinhas Mortais que sejam adaptadas a ambientes extremos poderiam ter algumas limitações de sua regeneração, como o dano por fogo ou frio, removidas.

Algumas, inclusive, poderiam ter imunidade ao tipo de dano comum do ambiente especializado em que se desenvolveram. Uma Vinha Mortal Ártica, que proteja a entrada secreta do covil de um Dragão Branco, por exemplo, poderia ser imune a frio ou gelo, possivelmente causando +1 de dano com esse tipo.

Vinhas Mortais Menores sem esporos

Como discutido acima, se a reprodução das Vinhas Mortais não for assexuada, as Vinhas Mortais Menores não teriam o ataque de esporos por que a primeira floração não ocorreu ainda. Uma redução na experiência seria necessária para essa modificação, conforme tabela do Bestiário (p. 209).

Vinhas Mortais Menores como armadilha

Uma opção é ver a Vinha Mortal Menor mais como uma armadilha que como um monstro. Como ela não teve a primeira floração, seria mais difícil de ser reconhecida. A Vinha Mortal só adquiriria a capacidade de se locomover quando adulta. Assim, você poderia remover o deslocamento dela (Movimentação 0m).

Como uma armadilha, ela seria possível de ser encontrada com uma jogada de d6 ou Reconhecer e Desarmar Armadilhas do Ladrão. Porém, não pode ser desarmada, apenas evitada (seja com fogo ou tendo alguma ideia para bloqueá-la) ou atacada.

Todas as estatísticas, exceto o deslocamento, permaneceriam iguais para a Vinha Mortal Menor.

Ideias para aventuras

  • Uma Vinha Mortal sofreu uma mutação e ficou inteligente. Além de seus instintos básicos de reprodução e alimentação, ela busca agora dominar uma velha torre no meio da floresta, onde se desenvolveria com mais segurança e para aumentar seu alcance. Seus esporos transformam criaturas em seus servos, atraindo outros animais e aventureiros para se alimentar. A torre pertencia a um mago e a Vinha Mortal pode se tornar mais perigosa ainda quando passar a compreender e a utilizar o que quer que o mago tenha deixado ali.
  • Uma fortaleza humana em uma região de fronteira tem repelido os ataques de orcs há muito tempo. Um xamã desse povo, entretanto, conseguiu infiltrar alguns meio-orcs leais a ele entre os humanos da fortaleza, carregando mudas de Vinhas Mortais. As Vinhas fornecerão uma distração, quando crescidas, para o próximo ataque à fortaleza.
  • Um treant corrompido por um druida enlouquecido está coberto de Vinhas Mortais e vem atacando uma região recém-colonizada. Os colonos avançaram mata a dentro, atraindo a atenção do druida que deseja a destruição da colônia por suas belas plantas. Seria possível trazer o druida ou o treant de volta ao normal?
Anúncios

3 comentários sobre “Old Dragon: Vinhas Mortais, modificações e discussões

  1. Uma observação sobre as Vinhas Mortais, elas tem a tendencia de possuir uma colonia de fungos, mortos vivos e criaturas comedoras de carcaça em torno de si, já que ela deposita os corpos das vitimas em suas raízes. Talvez a vinha utilize essas criaturas como proteção, já que elas podem fornecer desde proteção ou camuflagem.

    Mortos vivos são imunes aos efeitos das vinhas mortais, já que são imunes aos efeitos de veneno, controle da mente e não podem ser consumidos pela vinha, mas existe a possibilidade de mortos vivos possuam Vinhas Menores presas aos seus corpos e carreguem elas consigo numa simbiose levando as vinhas menores até outros locais e o morto vivo poderia fornecer corpos para a vinha se desenvolver.

    Mais algumas idéias para aventuras:

    Um alquimista adquiriu um carregamento de sementes de Vinhas Mortais para elixires e poções, mas o carregamento desapareceu durante o transporte e não se sabe se as sementes foram roubadas ou se perderam no caminho ao destinatário. As sementes irão germinar e aos poucos se tornar adultas se não forem mantidas de forma correta.
    Uma tribo de Elfos Negros idolatra e é controlado por uma entidade chamada “A Mãe Corrompida”, uma enorme Vinha Mortal inteligente que habita as profundezas. Em troca de sua proteção e conhecimentos, periodicamente fazem sacrifícios atirando humanos vivos em suas longas vinhas.
    Um Botânico louco criou uma vinha mortal mutante misturando uma Vinha Mortal com um Treant. A abominação possui as características de ambas criaturas mas felizmente é estéril. Agora ele pretende criar um exercito dessas criaturas e marcha-las contra os muros da capital usando um cajado de controle de plantas.

    Curtido por 1 pessoa

    • Essa ideia da colônia de fungos e dos mortos-vivos faz bastante sentido, dados os monstros em sinergia com ela e das características dos mortos-vivos.

      Só espero que você não use as vinhas na nossa campanha em Titan, já temos problemas demais com os Nasgorians para sermos destruídos por plantas carnívoras hahahah.

      O Pop postou no grupo de Old Dragon do Facebook a inspiração pras vinhas mortais: o filme The Ruins http://www.imdb.com/title/tt0963794/

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s